Cortando o cordão umbilical: Os problemas de sua família não são seus!

Cortando o cordão umbilical: Os problemas de sua família não são seus!

Estando em sociedade aprendemos a conviver em diferentes meios e grupos específicos. Contudo, nosso primeiro contato em sociedade e de onde tiraremos nossos aprendizados primordiais, vem da nossa principal relação, em família.

Porém, nem sempre há uma relação saudável entre os membros da família, e em muitos casos nem mesmo há a percepção dos indivíduos de que aquela situação é prejudicial aos mesmos.

Existe uma designação que encube bem os relacionamentos que geram esse tipo de toxicidade. A chamada família disfuncional é aquela em que não há limite claros e saudáveis para cada um, onde há conflitos, má conduta e muitas vezes abusos, que nem sempre serão físicos, e sim, mentais. Esse tipo de comportamento pode ser de forma sutil, e gerar a acomodação dos que estão envolvidos e a sua volta, tornando-se algo corriqueiro e da rotina.

Se ainda é difícil entender bem como funciona, vamos imaginar algumas situações, que em até alguns casos são romantizadas pela sociedade como algo “bom” e de “valor.

Uma mãe cria sua filha durante boa parte da vida sozinha, e com o amadurecimento e vida adulta, a filha se vê como responsável financeiramente e emocionalmente pela mãe. Além de se tornar presa aos problemas de sua progenitora de forma geral, que em sua maioria só são resolvidos pela filha, ainda se tem o fato de que os problemas em sua maioria não são resolvidos para que a filha se mantenha nesse ciclo vicioso.

Outro exemplo claro, é quando há a separação de forma extremamente conturbada dos chefes da família, e logo em seguida, em sua grande maioria, o filho homem (Caso haja) assume a posição de chefe da casa. Além de ter que lidar com as transformações de criança para adolescente, o jovem assume responsabilidades maiores que não deveriam ser incumbidas a ele.

E algo que acontece com muita frequência que pode dar continuidade a esses exemplos, é o clássico caso da mãe, que mesmo após seus filhos estarem adultos, com responsabilidades, ainda se manter como financiadora e responsável por conduzir a vida dos mesmos. Ou mudando de figura, a irmã ou irmão mais velho, que na mesma situação acima citada, se vê na obrigação de arcar com as responsabilidades e despesas de seus irmãos mais novos, mesmo sabendo que eles possuem plena capacidade de lidar sozinhos com a vida.

Todas as situações acima, embora possam ser romantizadas muitas vezes, acabam se tornando algo prejudicial, pois colocar sobre os ombros dos membros de uma família, responsabilidades que muitas vezes não são necessárias para a pessoa.

Com isso algum membro pode deixar de passar pelo processo de amadurecimento necessário, sendo obrigado a assumir funções, que de fato não deveria. Pode haver sobrecarga e até mesmo falta de espaço e tempo para desenvolvimento pessoal.

Devemos ter em mente, que assumir responsabilidades que estão acima do que podemos realizar ou devemos realizar nos prejudica, além disso, não demonstra que somos mais altruístas, responsáveis ou temos amor além da conta. Pelo contrário, só demonstra o quando mendigamos de ações para nos mostrar presentes, ou quanto fomos confundidos por não termos tido limite estipulados em nossa convivência por outros e por nós mesmos.

Sair de um tipo de relacionamento assim pode ser algo muito complicado, mas, a partir do momento em que tomamos conhecimento de que estamos em uma situação desse tipo, as nossas ações para melhorarmos podem ser iniciadas de forma efetiva.

Podemos ter esse despertar de formas até bem mais simples do que imaginamos, como através da conversa com um amigo que consegue enxergar a situação pelo “lado de fora”. Outrora, também podemos demorar mais tempo para nos atentarmos a isso, e até mesmo insistir que é normal agir da forma que se está agindo, e nesses casos, o auxílio de um profissional para dar esse start é essencial.

O processo de terapia irá auxiliar não só a pessoa em questão a pensar melhor de forma individual, mas, a olhar como um todo a situação em que está envolvida, desenvolvendo mais senso de amor próprio e criticidade.

Contudo, se possível realizar um processo de terapia em grupo, é indicado e até mesmo melhor, afinal, dessa forma todos poderão partilhar dos pontos de vistas um dos outros, propiciando um melhor entendimento do papel de cada um e deveres dentro da comunidade familiar.

Portanto, é necessário entender que muitas vezes como agimos pode ser algo pré-programado pela convivência e rotina, mas, não nos devemos deixar levar e agir para sermos sempre o melhor para nós e quem está a nossa volta.

Sempre pense muito em suas ações, e como aquilo irá te beneficiar e a quem está a seu redor, da mesma forma, que jamais assuma responsabilidades que não são suas. Sempre que necessário busque ajuda, principalmente de profissionais, e se recorde que o maior bem do qual deve cuidar, é da sua vida, sempre em primeira ordem.

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